Não escrevia nada desde Agosto, o que não quer dizer que tivesse estado parada, ecologicamente falando. Mas, na verdade, os últimos meses não foram os mais ecológicos cá em casa. Razão: fui mãe há quatro meses. E o que tem isso a ver? Tem tudo. As prioridades mudam à medida que as hormonas se desregulam na gravidez. Conforme a minha gravidez foi avançando (e à data do último post já andaria pelo quinto mês) e entrei na “fase do ninho”, o meu “progresso ecológico” foi diminuindo. Ainda li umas coisas sobre criar bebés naturalmente, ainda consegui refrear o consumismo e não desatar a comprar roupinhas de bebé antes do tempo, aproveitei mobília e roupa usada por primos e amigos para decorar o quartinho e vestir a menina, mas pintei o quarto da criança (ai…) com uma tinta nada ecológica (ai, ai…) e ainda colei uma faixa de papel de parede à volta do quarto (ai, ai, ai…) que veio do estrangeiro e mais não sei quê (desisto).
Por um lado, tinha uma grande ansiedade de não conseguir refrear as avós de comprar mundos e fundos, coisas em plástico e materiais nada aconselháveis, mas se houve coisa que eu nunca consegui vencer (ou entender) foi o desenfreamento das avós… Por outro lado, tinha um grande plano com as fraldas reutilizáveis. A ideia de ajudar a encher as lixeiras com milhares de fraldas no espaço de dois anos e meio, mais coisa menos coisa, apavorava-me e, então, no último mês de gravidez fui adquirindo um lote de fraldas reutilizáveis que me permitisse manter um stock confortável durante o Inverno em que, já se sabe, a roupa custa mais a secar.
Mas foi aqui que falhei redondamente. Não sei se foi da marca das fraldas, se sou eu que não as uso correctamente, se simplesmente embirrei com elas, mas o meu plano de não usar fraldas de plástico ou usá-las apenas para as saídas exteriores foi por água abaixo logo nas primeiras semanas. As fraldas não serviam bem. Apesar de serem concebidas para bebés com mais de 3 quilos, parecia que ficavam folgadas. E o chichi (e não só…) saía e passava para a roupa. Cada chichi (e não só), cada muda de roupa. Ecologicamente não me estava a compensar, fora o tempo perdido a trocar a roupa, lavá-la, passá-la, etc. Irritada e desiludida, passei para as descartáveis, mas não descartei a hipótese de voltar a usar as de pano. Talvez quando a miúda crescer e engordar e as fraldas ficarem justinhas… Mas a verdade é que já lá vão quatro meses (a miúda já gorda e crescida) e sempre que decido experimentar, acabo por me aborrecer com a frequência das fugas e voltar a guardar as fraldas de pano. Esperam agora no armário por melhores dias.
Levei eu tanto tempo a convencer o pai com este estudo da Quercus e com uma folha Excel em que comparava os diferentes tipos de fraldas, as marcas e os preços (é um mundo, senhores…) para, no fim, ser eu quem não as quer utilizar. E, não, não utilizo fraldas biodegradáveis. Uso mesmo aquelas do supermercado, com plástico, petróleo e tudo o mais que já causou dermatites à bebé, mas que me garante que posso sair à rua descansada e que a miúda não vai ficar com as calças manchadas. Já eu dizia lá em cima que as prioridades mudam completamente…
Há que encontrar uma maneira de compensar todo este abuso ambiental. E, por isso, andamos a pensar neste desafio ecológico da National Geographic… A ver vamos como nos sai este plano.


